quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Escultura deslumbrada













Ofuscam-me as ideias, as paisagens que se impõem neste roteiro inédito diante mim.


Conspurcam-me a alma com as canções funéreas que me sussurram os indigentes pelo caminho.


Puxam os céus enegrecendo o dia que por si só já lúgubre, tornando-o simples e cada vez mais profano.


Tentativas fúteis de mentes inanes que tentam lograr na demência momentânea que se revela.


Invejam a forma como te vejo… como a vista te alcança mesmo por entre névoa decadente de todos estes agoiros.


Imaculada imagem a que esconde tanto pecado.


Escultura de uma deidade tal que tão fria é a mármore em que se reveste que gela a chama em que te envolvo, no entanto, esconde o calor do mais profundo dos infernos no seu interior.

Pego num trapo e limpo, puxo lustro e tento dar brilho.
Vejo a minha imagem reflectida … embora disforme, no sítio onde ela pertence: a seu peito.
Aprendo a tratar esta imagem tão única, na certeza de não a partir ou gastar.


Sinto a pedra nas minhas mãos, sabendo o calor que reside por debaixo do mármore.


Contemplo a Arte. Aprendo a vive-la... Vivo-a.


A mestria de um nómada nunca será, de inicio, a mesma que a de um escultor, no entanto, a vontade pode fazer com que aprenda melhor que ninguém.


A alma está talhada.


A beleza está na obra, bem como na alma, permitam que se contemplem, sem corroer.





By Moon_T

8 comentários:

An Ambush of Ghosts disse...

Hummmm....

Esta deu que pensar...

Realmente o ditado é velho e sobejamente conhecido, "Quem te avisa teu amigo é..."

Mas convém ao amigo saber de todos os detalhes para um bom conselho.
Será q os sabe?

"Sinto a pedra nas minhas mãos, sabendo o calor que reside por debaixo do mármore."

Fizeste lembrar um quebra cabeças muito antigo do qual não me lembro o nome... o quebra cabeças consiste em conseguires abrir uma caixa com X movimentos das suas peças.
Um movimento errado e não consegues abrir a caixa e fazes movimentos desnecessários, tens de voltar ao inicio.

As pedras esculpem-se, afagam-se, formam-se, partem-se,aquecem e esfriam sem perder a forma, tornam-se a esculpir, podes dar a forma á pedra que quiseres, nunca sem muito e árduo trabalho.
O barro é muito mais maleável.

A beleza e a arte está no trabalho de construir a peça final sem estragar o material ou a matéria prima.

korrosiva disse...

Parabens pelo blog, tanto pela qualidade das fotos como dos textos! ;)

By myself disse...

É sempre um prazer passar pela coerência do teu blog.

Bjs

Pearl disse...

Sem a erosão das mãos e olhos, de tempestades, sempre de delicado maneio...nunca se quebrará porque nunca a vais deixar cair!

beijo

Cöllyßry disse...

Bom lembrar as mãos de onde sai a bela obra...

Beijito

ivone disse...

pecado imaculado ainda virgem de beleza não corroída...


será?

isso não existe é uma utopia.

Attitude Problem disse...

Contemplava(-te) este teu texto com um GRITO!Num instante mágico...



... e volto.

Beijo. Meu.

Jorge Pessoa e Silva disse...

Caríssimo

O comentário, após esta primeira leitura, terá de se cingir à forma. E quem sou eu para dizer o óbvio, ou seja, que está magnificamente escrito...

Como já conversámos uma vez, eu preciso de ler e reler os textos e continuar a leitura até pode falar do conteúdo. Porque preciso de tempo para me tentar sintonizar contigo. Sem descobrir um fio condutor, a existir, sem tentar perceber um padrão mínimo nos teus esquemas mentais - e isso só ao fim de muitos textos e de algum tempo - nada mais posso dizer que aqui se come de faca e garfo. Com bom vinho sobre a mesa. Faça-se o silêncio necessário para apreciarmos as iguarias que nos serves.

Also...

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