sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Comentário "Máscaras"







São apenas máscaras. As caras que vestimos para que os outros nos vejam.Tão sedentos de julgamentos que se esquecem dos valores. Ansiosos de tudo e nada.
E nós? O verdadeiro "nós" vai-se afundando nas mentiras que vivemos aos olhares dos outros que preferem ver apenas com os olhos.
Nós, os que queremos "ser", que ousamos sonhar no dia em que possamos usar orgulhamente "a nossa máscara"... a nossa verdadeira máscara... corremos pelas sombras como os sussurros das fofocas de velhas beatas.
Esta é a nossa forma de viver.
Pulamos por entre palavras, sorrimos nas fotografias e engolimos em segredo aquela arte que é só nossa, na esperança de que um dia nos olhem e pensem sem julgar: "Gosto desta estranha máscara." apenas porque sim.



Moon_T

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Fala-me





Fala-me do fumo
Fala-me do sono e dos sonhos
e da ausência.

Fala-me do Mundo

Enquanto sonho
Enquanto tento sonhar
Fala-me de ti
de nós...

Sonhemos juntos .

Caminhemos pelo traço de fumo
Enchamos o peito de céu
e a alma de nuvens
até que deixem de chover os olhos.



... abraça-me a paixão.


Moon_T













quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Lembro-me



Lembro-me
Como se sonhasse,
Dos dias começarem num sorriso.
Na inocência
Daquele tom suave de carícia.
De entrelaçar os dedos no cabelo,
De me rir, sem sequer gostar, ao sentir a barba farta no peito.

Lembro-me dos Verões e dos corta-vento,
Do som que a borracha fazia nos braços,
Das sandálias,
Dos pique-niques,
Da salada, do pimento e do pepino.
Do carro laranja.
Lembro-me das roupas artesanais de malha,
De camisolas de lã.
Das calças de bombazina, das galochas e dos botins.

Lembro-me como se fosse um sonho,
Dos aniversários, dos risos
E das cores vivas e garridas que hoje são sépia queimado do tempo.

Lembro-me
Das bagagens e das cidades
De pés descalços e tacos de madeira,
Das casas novas e novas moradas e dos punhos cerrados.
Lembro-me da primeira morte ( e todas as outras),
Do carnaval, da guerra, do bairro…
Lembro-me das grades, das chaves, dos muros,
Do couro nas costas e de portas fechadas.

Lembro-me,
Como se de um sonho se tratasse,
De voltar como se nunca tivesse ido.
Dos adeus aos cabelos grisalhos
De um acordar de notícias,
De querer chorar e não sair,
De não querer e não conseguir parar.

Lembro-me da carta
Maldita carta…
Lembro-me da noite,
Do fumo e do álcool.
Do sangue no reboco
Das sombras e das estrelas.

Lembro-me de me perder no caminho que tanto conhecia,
Da faca
Da raiva
E do rancor de boca seca.

Hoje, lembro-me como se sonhasse
E tento fazer do hoje um sonho…
Hoje,
Lembro-me de tudo o que queria esquecer.




Moon_T

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Insano por mais um dia



Sufoca o grito que não sai.
Os músculos contraídos e o sangue a bombear nas veias, quente, azedo…
Ardem os olhos enraizados, quase cegos… e a puta da lágrima que não cai!
Os tiques nervosos mantêm-se, aumentam…
Aumenta os cigarros amachucados nos cinzeiros.
Aumenta a expectoração… a tosse, o nojo.
Torna-se cada vez mais difícil manter um raciocínio lógico, só um. A cada tentativa de fuga daquele túnel miserável, pútrido e fedorento, parece que mais longe fica a saída.
As moscas não largam a pele morena, irritantes.
A ausência torna-se maior e sente perder-se numa sala vazia, cheia de nada. As ruas tornaram-se um imenso campo sufocante. As multidões aflitivas. Demasiados sons, demasiadas caras, demasiados bafos quentes e nojentos. Fecha a porta à chave.
Sonâmbulo diurno e insoníaco nocturno, cansado da fustigante forma de ser. Engole o vómito de auto-comiseração.
Sonhos suados de sexo e morte.
Acorda em frente ao espelho e depara-se com o seu reflexo, de mãos sujas, a espalhar espuma pela face, testa, pescoço. Os dedos sem unhas, espreitam pela espuma e tentam rasgar a pele.
A água fria refresca os olhos que espreitam pelas gotas correntes de uma cara que já não conhece.
Revira-se de novo na cama que range e ameaça partir-se. De costas para a parede escura onde esperava encontrar uma mão, ou aquele cheiro, ou o beijo…
Nú, descoberto, o calor não larga e aperta o pescoço…suspira.
Fuma mais um cigarro por entre as outras centenas. O fumo enche o quarto. E do cinzeiro cheio à mesa-de-cabeceira sente o cheiro do fim. Pinga-lhe a sanidade pelos poros e bebem-lhe os insectos da pele.
Contraem-se os músculos para mais um dia de olhos abertos.
O grito sem sair
E a puta da lágrima que ainda não cai.
Há-de parar quando morrer.

Moon_T


tool - cold and ugly

quarta-feira, 15 de julho de 2009

inútil





Abomino as fatalidades do destino,
Repudio a ironia sarcástica deste viver.
Morro-me cada vez mais por dentro
Enche-se um vazio aos poucos.
Cresce a misantropia de mim… em mim.




Abana-se-me o Mundo
Da raiva
Inútil
Do mundo de mãos atadas
Inútil
Réplica de um terramoto que ninguém deu conta


Moon_T


Michael Nyman - The Sacrifice

sábado, 4 de julho de 2009

Odores...






Rasgam-se os odores pela noite de Verão
Escorre pela mente a quente e mucosa baunilha
Banham-se os corpos num suave paladar amorangado
Aquece a pele
Pingam os seios que escorrem pelo tronco até ao regaço
Gemem os olhos semi-cerrados
Sente-se o todo

( no intervalo dos gemidos e suspiros
Confirma-se o quão bem ficam os calções despidos no chão)

E ferve o mentol de dentro pra fora
Que sobe até à garganta
Até que vem num tremor…
Que vicia
… e é tão bom.






Moon_T




NIN - perfect drug

Also...

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